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Negras de Atitude: Lélia Gonzalez

 (Belo Horizonte, 1 de fevereiro de 1935 — Rio de Janeiro, 10 de julho de 1994) foi uma intelectual, autora, política, professora, filósofa e antropóloga brasileira. Foi pioneira nos estudos sobre Cultura Negra no Brasil e co-fundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Olodum.

Biografia

Nascida na cidade de Belo Horizonte, filha do ferroviário Accacio Joaquim de Almeida, e de Urcinda Serafim de Almeida, uma empregada doméstica indígena.Era a penúltima de 18 irmãos, entre eles o futebolista Jaime de Almeida, que jogou pelo Flamengo. O pai morreu quando ela ainda era criança. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942.

No início de sua vida no Rio, ela trabalhou como empregada doméstica e babá. Apesar das dificuldades, em 1954, Lélia concluiu os ensinos no Colégio Pedro II, tradicional instituição de ensino carioca.

Percurso

Graduou-se em História e Filosofia pela Universidade do Estado do Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e trabalhou como professora da rede pública de ensino. Fez o mestrado em comunicação social. No doutorado se especializou em antropologia política dedicando sua pesquisa em gênero e etnia. Começou então a se dedicar a pesquisas sobre relações de gênero e etnia. Foi professora de Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde chefiou o departamento de Sociologia e Política.

Como professora de Ensino Médio no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (UEG, atual UERJ), nos anos finais da década de 1960, fez de suas aulas de Filosofia espaço de resistência e crítica político-social, marcando definitivamente o pensamento e a ação de seus alunos.

Em 1976, Lélia Gonzalez se torna professora na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, convidada pelo diretor Rubens Gerchman, leciona o Curso de Cultura Negra.

Ajudou a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga e o Olodum. Sua militância em defesa da mulher negra levou-a ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), no qual atuou de 1985 a 1989. Foi candidata a deputada federal pelo PT, não se elegendo, mas ficando como primeira suplente. Nas eleições seguintes, em 1986, candidatou-se a deputada estadual pelo PDT, novamente não se elegendo e ficando como suplente.

Seus escritos, simultaneamente permeados pelos cenários da ditadura política e da emergência dos movimentos sociais, são reveladores das múltiplas inserções e identificam sua constante preocupação em articular as lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros e, em especial das mulheres negras.

Em texto sobre Lélia Gonzalez e publicado em 2010, Alex Ratts aponta uma questão que é muito discutida até hoje no movimento negro por todo o Brasil: a saúde física e mental de militantes.

Morte

Lélia morreu no dia 11 de julho de 1994, vítima de um infarto, em sua casa no Cosme Velho, na cidade do Rio de Janeiro.

Legado

Exposição em homenagem a Lélia Gonzalez no Projeto Memória, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Exposição em homenagem a Lélia Gonzalez no Projeto Memória, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Entre outras homenagens, Lélia Gonzalez tornou-se nome de uma escola pública estadual no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, de um centro de referência de cultura negra, em Goiânia, de um coletivo de alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), de uma cooperativa cultural, em Aracaju. Foi homenageada pelo bloco afro Ilê Aiyê em duas edições do Carnaval baiano: em 1997, como parte do enredo Pérolas negras do saber, e em 1998, com Candaces.

O dramaturgo Márcio Meirelles escreveu e encenou em 2003 a peça teatral Candaces – A reconstrução do fogo, baseada em sua obra.

Em 2010, o governo da Bahia criou o Prêmio Lélia Gonzalez, para estimular políticas públicas voltadas para as mulheres nos municípios baianos.

A filósofa estadunidense Angela Davis, ao visitar o Brasil em 2019, afirmou que os brasileiros precisam reconhecer mais a sua própria pensadora Lélia Gonzalez, uma das pioneiras nas discussões sobre a relação entre gênero, classe e raça no mundo. “Por que vocês precisam buscar uma referência nos Estados Unidos? Eu aprendo mais com Lélia Gonzalez do que vocês comigo”, resumiu Angela Davis.

Em 2020, a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) lançou o prêmio Lélia Gonzalez de Manuscritos Científicos sobre Raça e Política com o objetivo de incentivar a conclusão de trabalhos de pesquisadoras(es) pretas(os) e pardas(os) sobre desigualdades, identidades e discriminações raciais e suas expressões políticas.

Obras

Livros

  • Festas populares no Brasil. Rio de Janeiro, Índex, 1987.
  • Lugar de negro (com Carlos Hasenbalg). Rio de Janeiro, Marco Zero, 1982. 115p. p. 9-66. (Coleção 2 Pontos, 3.).
  • Por um Feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar

Ensaios e artigos

  • “Mulher negra, essa quilombola.” Folha de S.Paulo, Folhetim. Domingo 22 de novembro de 1981.
  • “A mulher negra na sociedade brasileira.” In: LUZ, Madel, T., org. O lugar da mulher; estudos sobre a condição feminina na sociedade atual. Rio de Janeiro, Graal, 1982. 146p. p. 87-106. (Coleção Tendências, 1.).
  • “Racismo e sexismo na cultura brasileira.” In: SILVA, Luiz Antônio Machado et alii. Movimentos sociais urbanos, minorias étnicas e outros estudos. Brasília, ANPOCS, 1983. 303p. p. 223-44. (Ciências Sociais Hoje, 2.).
  • “O terror nosso de cada dia.” Raça e Classe. (2): 8, ago./set. 1987.
  • “A categoria político-cultural de amefricanidade.” Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro (92/93): 69-82, jan./jun. 1988.
  • “As amefricanas do Brasil e sua militância.” Maioria Falante. (7): 5, maio/jun. 1988.
  • “Nanny.” Humanidades, Brasília (17): 23-5, 1988.
  • “Por um feminismo afrolatinoamericano.” Revista Isis Internacional. (8), out. 1988.
  • “A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social.” Raça e Classe. (5): 2, nov./dez. 1988.
  • “Uma viagem à Martinica – I.” MNU Jornal. (20): 5, out./nov

Fonte: Wikipedia

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