A China está ciente do poder que o IDE teve na transformação da sua própria economia. A África atual tem semelhanças com a China de há quatro décadas. Em 1978, quando a China iniciou a sua política de “Reforma e Abertura”, contava com uma população de 956 milhões com uma idade média de 21,5 anos; a África hoje é habitada por 1340 milhões de pessoas, com uma idade média de 19,7 anos – uma força de trabalho enorme, jovem e de baixo custo, ávida por aprender e desesperada pela busca de uma vida melhor, agora tanto quanto a China então. África contém ainda inúmeras riquezas minerais e abundante terra arável, a maioria da qual ainda não cultivada.

Apesar de África representar 16,7% da população mundial, o stock de IDE no continente equivale a apenas 2,6% – 812 milhares de milhões (mM) de euros do total global em 2019. O stock de IDE da China em África era o quinto maior em 2018, com 39 mM d euros, atrás de Holanda, França, EUA e Reino Unido. No entanto, entre 2014 e 2018, o stock de IDE da China em África aumentou 43,8% enquanto os stocks da França, do Reino Unido e dos EUA caíram 11,7%, 26,9% e 30,4%.

Os fluxos de IDE da China para África somaram 81,5 mM de euros de 2005 a 2019, representando apenas 7,8% do stock de IDE chinês no exterior nesse período.

Entre 2005 e 2019, apenas 6,5% do IDE chinês na África foi para o norte de África (em comparação com 31,6% do IDE global em África). Um terço do IDE chinês no continente foi para países da África Ocidental. 40% dos fluxos de IDE chinês em África estão concentrados em apenas três países: Nigéria, África do Sul e R. D. do Congo.

Um dos setores onde o IDE chinês em vários países em África é visível é o das matérias-primas – petróleo, gás natural, minérios, para materiais de construção – na linha da estratégia chinesa de acesso a recursos naturais essenciais ao seu desenvolvimento. Mas os dois maiores setores em que o IDE chinês em África é mais relevante são o da construção e o da energia. O valor dos projetos de construção chineses no continente é muito grande e sinaliza que África é uma prioridade para os projetos de infraestrutura chineses. De 2005 a 2019, empresas (estatais) chinesas assinaram 544 contratos de construção em África no valor global de 228 mM de euros (principais países destino: Nigéria (€ 21,7 mM), Argélia (€ 20,2 mM), Etiópia (€ 19,7 mM), Egito (€ 18,2 mM), Angola (€ 17,3 mM)), o que equivale a cerca de um terço do valor total dos projetos de construção de empresas chinesas em todo o mundo. E 38% do IDE chinês em África foi para o setor de energia – desde centrais hidroelétricas à exploração de gás. Desde 2010 um terço da rede elétrica e infraestrutura de energia em África foi financiado e construído por empresas chinesas.

Estes enormes investimentos em construção e energia são motivados pela sua relevância estratégica e pelo potencial do crescimento económico de África e retorno a longo prazo, sendo feitos por grandes empresas estatais chinesas (SOE).

Curiosamente, não obstante o relevo do investimento das SOE nesses setores, já no final de 2010 cerca de 90% das empresas chinesas investindo em África eram privadas, de acordo com o Ministério do Comércio chinês.

Fonte: Jorge Costa Oliveira para Diário de Notícias

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