André Rebouças era filho de Antônio Pereira Rebouças (1798-1880) e de Carolina Pinto Rebouças. Seu pai, filho de uma escrava [nascida livre] e de um alfaiate português, era advogado autodidata, deputado e conselheiro de Pedro II. Foi sobrinho do Dr. Manuel Maurício Rebouças, médico, professor da Faculdade de Medicina da Bahia e combatente da Guerra de Independência do Brasil.

Dois dos seus seis irmãos, Antônio Pereira Rebouças Filho e José Rebouças, também eram engenheiros. André ganhou fama no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade.

Servindo como engenheiro militar na Guerra do Paraguai, André Rebouças desenvolveu um torpedo, utilizado com sucesso.

Ponte ferroviária projetada por Rebouças.

Em 1871, André e seu irmão Antônio, também engenheiro, apresentaram ao imperador D. Pedro II o projeto da estrada de ferro ligando a cidade de Curitiba ao litoral do Paraná, na cidade de Antonina. Quando da execução do projeto, o trajeto foi alterado para o porto de Paranaguá. Até hoje, essa obra ferroviária se destaca pela ousadia de sua concepção.

Ao lado de Machado de Assis, Cruz e Sousa, José do Patrocínio, André Rebouças foi um dos representantes da pequena classe média negra em ascensão no Segundo Reinado e uma das vozes mais importantes em prol do abolicionismo no Brasil. Ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e outros. Participou também da Confederação Abolicionista e redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora.[3]

Participou da Sociedade Central de Imigração, juntamente com o Visconde de Taunay.

Incentivou a carreira de Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani.

Entre setembro de 1882 e fevereiro de 1883, Rebouças permaneceu na Europa, retornando ao Brasil para dar continuidade à campanha pela abolição da escravatura. Ao participar do último baile do império, na Ilha Fiscal, em 09 de novembro de 1889, quase às vésperas da proclamação da república viu recusado por uma dama o seu convite para dançar. Observando o ocorrido, o imperador D. Pedro II imediatamente solicitou à Princesa Isabel para ser seu par. Com a abolição, veio também a queda do império, e, assim, em 1889, André Rebouças embarcou, juntamente com a família imperial, com destino à Europa. Por dois anos, ele permanece exilado em Lisboa, como correspondente do The Times de Londres. Posteriormente, transferiu-se para Cannes, onde permaneceu até a morte de D. Pedro II, em 1891.

Em 1892, Rebouças aceitou um emprego em Luanda, onde permaneceu por 15 meses. A partir de meados de 1893, residiu em Funchal, na Ilha da Madeira, até sua morte no dia 9 de maio de 1898.

Toponímia

A avenida Rebouças, na cidade de São Paulo (originalmente chamada rua Doutor Rebouças) homenageia André Rebouças. O túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, foi assim nomeado em memória de André Rebouças e Antônio Rebouças. Os irmãos Rebouças também são homenageados em outras cidades do Brasil, como Porto Alegre (rua Engenheiro Antônio Rebouças) e Curitiba (bairro Rebouças e Rua Engenheiros Rebouças). A nome da cidade de Rebouças (Paraná) também é uma homenagem ao engenheiro Antonio Rebouças.[6] O navio-tanque André Rebouças, classe Suezmax, da Transpetro, foi batizado com o seu nome em dezembro de 2014 e a viagem inaugural foi realizada em maio de 2015.

Cronologia

  • 1838 – Nasce em Cachoeira, na Bahia, com o nome de André Pinto Rebouças, filho de Antônio Pereira Rebouças e Carolina Pinto Rebouças.
  • 1842 – A família Rebouças muda-se para o Rio de Janeiro. André convalesce de um ataque de varíola.
  • 1854 – André e seu irmão, Antônio, ingressam no curso de engenharia da Escola Militar.
  • 1858 – Os irmãos Rebouças concluem o curso de engenharia.
  • 1860 – André e Antônio são promovidos a primeiro-tenente e recebem a “Carta de Engenheiro Militar”.
  • 1861 – De posse de uma bolsa de estudos, os dois irmãos embarcam para a Europa.
  • 1862 – 25 de outubro: os Rebouças, de regresso ao Brasil, começam a procurar emprego.
  • 1863 – André é nomeado para inspecionar as fortalezas do sul do Brasil. Permanece, ao lado de Antônio, em Santa Catarina.
  • 1864 – 1 de janeiro: André volta à Corte. Antônio permanece em Santa Catarina.

Não conseguindo apoio para a sua ideia de construir diques múltiplos no porto do Rio de Janeiro, André aceita uma comissão para estudar remodelações no porto do Maranhão. Começa a Guerra do Paraguai.

  • 1865 – André volta ao Rio de Janeiro e apresenta-se como voluntário da pátria, seguindo direto para o teatro das operações militares.

Cerco de Uruguaiana. André faz amizade com o Conde D’Eu, que acompanha o imperador em visita ao campo de batalha.Morre sua mãe Carolina Rebouças, no Rio.

O jovem André Rebouças (c. 1862)
O jovem André Rebouças (c. 1862)

Maio: André é atacado pela pneumonia.Junho: participa da defesa de Tuiuti, mas é novamente afastado da batalha; contraíra varíola.Julho: volta ao Rio e, pouco depois, desliga-se do Exército.Outubro: Zacarias de Góis e Vasconcelos, ministro da Fazenda, nomeia André Rebouças inspetor das alfândegas do Rio de Janeiro.

  • 1871 – Depois de dar início a inúmeras obras e empreendimentos, por motivos políticos André é demitido de seu cargo.
  • 1872 – Viaja novamente à Europa, onde se empenha em obter auxílio para Carlos Gomes, que acabara de compor a Fosca.
  • 1873 – Junho: depois de sua excursão pela Europa, André chega a Nova Iorque, onde sente o peso do preconceito racial.

Julho: volta ao Brasil.

  • 1874 – Passa a evitar a vida social na Corte. Limita-se a publicar nos jornais artigos sobre os mais variados assuntos.

Morre seu irmão Antônio.

  • 1880 – Morre Antônio Pereira Rebouças, pai de André.

André, pelos jornais, engaja-se definitivamente na campanha abolicionista.Consegue o cargo de professor da Escola Politécnica.

Rebouças procura reagir à corrente republicana.

Embarca para a África.

  • 1892 – André se estabelece em Funchal, na Ilha da Madeira.
  • 1898 – Encontrado morto no mar, ao pé de uma rocha, bem em frente ao lugar em que morava. Tinha 60 anos.

Fonte: Wikipedia

1 comentário em “Poderosos Homens Pretos: André Rebouças

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