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Reação de pessoas negras contra o racismo no Rio de Janeiro quase dobrou no primeiro semestre do ano

Os crimes de preconceito de raça ou de cor entre os seis primeiros meses de 2019 e 2021 passaram de 43 para 82 registros

Os registros de racismo quase dobraram no Rio de Janeiro no primeiro semestre deste ano. Os dados são do Instituto de Segurança Pública. Os crimes de preconceito de raça ou de cor, que também inclui discriminação contra etnia, religião e procedência nacional entre os seis primeiros meses de 2019 e 2021 passaram de 43 para 82 registros.

Já no caso de injúria por preconceito, que engloba crimes cometidos contra raça, cor, religião, origem, pessoa idosa ou deficiente, o crescimento foi de 17% no mesmo período.

O coordenador do instituto de defesa da população negra, DJeff Amadeus, destaca que os números apresentados demonstram uma vitória.

“Ser negro é um processo de descoberta, como ensinou Neusa Santos Souza, então o aumento dos registros tem a ver com o fato de que a luta iniciada por nossos intelectuais negros e negras e continuada por nós dos movimentos negros que viemos depois tem tido êxito já que hoje a gente tendo orgulho da nossa cor, da nossa história, ancestralidade, não nos calaremos diante de qualquer ataque a nossa história”, disse Amadeus. 

Números do ano passado foram descartados já muitos não formalizaram as ocorrências pelo isolamento social.

De acordo com o ISP, a alta pode ser reflexo de uma maior conscientização das pessoas que deixaram de naturalizar muitos atos preconceituosos, fazendo assim os registros em delegacia. A diretora-presidente do Instituto, Marcela Ortiz, fala da importância dos registros.

A advogada e vice-presidente do IDPN, Marcela Ortiz, lembra que o aumento nos registros é fruto de uma maior conscientização da população e a não naturalização de atos racistas. Ela lembrou também da importância dos registros. “A confiança nas instituições também é um ponto a ser levado em consideração. O estado do Rio é um dos poucos do país a ter uma delegacia dedicada a investigação dos crimes raciais e dos delitos de intolerância, que é a Decradi. É muito importante que se diga que a denúncia desses crimes é fundamental para que o poder público e a sociedade tenham a real noção do racismo no nosso estado”, afirma, também em entrevista ao Metrópoles.

Em 2020, dados do Dossiê Crimes Raciais apontavam que em 2019, duas pessoas foram vítimas de racismo por dia no estado do Rio, sendo que as mulheres representam 58% desse total. 

Ainda segundo o levantamento do ISP, quatro a cada dez casos aconteceram fora do ambiente residencial e 43% dos agressores eram conhecidos das vítimas.

Fontes: Notícia Preta e Band

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